Publicado por: David Bemfica | 08/10/2009

PARA ENTENDER HONDURAS

Segue texto para compreender melhor a circunstância do Golpe praticado em Honduras…

“Golpe reordena a direita na região, diz jornalista

Agência Latino-Americana e Caribenha de Cominicação (ALC)

Tegucigalpa, terça-feira, 6 de outubro de 2009 (ALC) – O levante militar em Honduras foi um golpe ideológico, de reordenamento da direita na América Latina, incentivado por oligarquias que têm medo do presidente venezuelano Hugo Chávez, explicou o jornalista hondurenho Manuel Torres à comitiva do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), que visitou o país de 28 de setembro a 2 de outubro.

“Chávez foi exaltado pela oligarquia e pelos meios de comunicação como comunista, do ponto de vista ideológico, e de diabo, a partir da fé. Por isso a oligarquia justifica o golpe como um mal menor e a supressão dos direitos humanos como uma necessidade de Estado”, disse Torres.

O golpe foi decidido por sete das dez famílias mais ricas do país. Elas se comportam no público do mesmo modo como o fazem no privado. Decidem e mandam em tudo. Passados, porém, 90 dias desde o golpe, “as perdas econômicas dessas famílias são milionárias, uma vez que vários contratos internacionais foram cancelados”, informou o jornalista.

Na visão dessas famílias, a democracia limita-se à sua expressão mínima: a realização de eleições a cada quatro anos, reduzindo o cidadão a um mero eleitor. Isso se reflete nos índices de abstenção que, nos anos 80 do século passado era de 13%, subindo para 54% no pleito de 2005. O presidente deposto, Manuel Zelaya Rosales, foi eleito com apenas 23% dos votos.

Honduras sempre foi vista, segundo Torres, tanto pela oligarquia e por Washington como um pára-choque para deter processos revolucionários na América Central. A Constituição vigente no país data de 1982 e é resultado de pacto entre a oligarquia nacional, as Forças Armadas e os Estados Unidos.

A governabilidade de Honduras foi construída sob um Estado patrimonial, tolerando, como natural, índices de 10% destinados para a corrupção, o que representa uma despesa de 700 bilhões de lempiras (cerca de 40 bilhões de dólares ou 74 bilhões de reais) entre 1982 e 2008 no orçamento do país.

Ao lado do Brasil e do Haiti, Honduras é um dos países mais desiguais da América Latina. Os 3% dos hondurenhos mais privilegiados concentram metade da renda nacional. No campo, apenas 9% dos jovens têm acesso ao Ensino Médio.

O modelo neoliberal foi aplicado à risca em Honduras, onde empresas públicas acabaram em mãos de 15 famílias. As Forças Armadas eram detentoras de vários negócios, de supermercados e funerárias a indústria de armas. Os novos empresários favorecidos pelo ajuste neoliberal entenderam que os militares representavam, então, uma concorrência aos seus negócios.

Começou, a partir daí, um processo de desmilitarização em Honduras. No final dos anos 90 do século passado, militares perderam força política e econômica. “Hoje, diz-se que nove famílias governam o país”, apontou Torres.
Exclusão, concentração de renda, de terras e corrupção criaram uma base de insatisfação em Honduras frente ao valor da vida numa sociedade polarizada. O governo Zelaya, que veio da vertente liberal, despontou como capaz de promover câmbios nessa situação.

Em 2008, Zelaya deu um giro ideológico ao se aproximar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O mandatário hondurenho percebeu, então, que era preciso promover mudanças estruturais visando ao desenvolvimento do país. Ele lançou a proposta de uma Assembléia Constituinte que tivesse a participação além de representantes dos partidos e aproximou-se de organizações populares.

Daí a reação das oligarquias, que são contrárias a uma Constituinte. A insatisfação levou ao golpe. Hoje, surgem em Honduras movimentos de resistência que reivindicam uma agenda de diálogo que vá além da restituição do poder a Zelaya e da volta dos militares aos quartéis, mas querem avançar na transformação do país.

A delegação do CLAI chegou a Honduras uma semana depois do regresso do presidente deposto a Tegucigalpa e no dia em que entrou em vigência a suspensão das garantias constitucionais no país, decretadas pelo governo golpista de Roberto Micheletti.

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