Publicado por: David Bemfica | 08/03/2008

SUPRA HOMENAGEM ÀS MULHERES

novos ares para novos tempos

O ideal seria que todos os dias fossem o dia da mulher, das crianças…todos os dias de todos.

Mas vale a data simbólica para lembrarmos a importância desse dia e, quem sabe, estendê-lo às todos os dias. Em homenagem então à todas as deusas, ‘supras’ por gênese, segue texto de Neide Miele (neide.miele@terra.com.br), Professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Coordenadora do Curso de Especialização em Ciências das Religiões, da Universidade Federal da Paraíba.

“O RETORNO DA DEUSA

As últimas décadas do século XX, final de mais um milênio, trouxeram para a mulher um doce sabor de conquista. Não que os problemas que ela tem enfrentado desde o fundo das eras tenham sido resolvidos. Claro que não! No entanto, a contemporaneirdade está forjando uma nova mulher, e certamente um novo homem. Tudo está muito confuso, o velho modelo ainda não foi completamente quebrado, nem o novo despontou em sua plenitude. Mas as experimentações continuam…

Apesar do caos aparente, o balanço do último milênio indica um saldo positivo. A mulher madura passou a controlar melhor seu corpo, sua sexualidade, sua liberdade de escolha, porém as adolescentes ainda estão perdidas com a nova liberdade. A conquista do espaço no mercado de trabalho trouxe independência financeira, mas aumentou o sentimento de culpa das mães em relação à sua menor presença na educação dos filhos e este é um problema ainda não devidamente enfrentado e menos ainda resolvido. Um passo positivo em busca do equilíbrio foi a superação da veemência inicial do feminismo, que focava o homem como o principal inimigo da mulher. Ela descobriu que sua luta é muito maior que a simples libertação da mulher, que sua verdadeira luta pressupõe a construção de um novo homem, de uma nova mulher e de uma outra relação entre os seres humanos, calcada em alicerces mais saudáveis que a posse e a dominação de um sobre o outro. A mulher descobriu que a sociedade patriarcal exacerbou os valores masculinos da competição e da sobrevivência do mais forte ao estender a dominação que exercia sobre o feminino para os homens mais fracos e para os países mais pobres. Assim, ela descobriu que o maior inimigo não é o homem, mas os valores patriarcais.

Ao sair à luta as mulheres provocaram uma reviravolta nas certezas masculinas. Estas certezas começaram a ser reavaliadas e redimensionadas. Os homens começam a questionar se era realmente vantajoso o lugar que lhes foi atribuído pela sociedade patriarcal.

Há indícios que estamos vivendo uma transição radical de crepúsculo do patriarcado. Está surgindo uma nova consciência planetária com fortes preocupações ecológicas. O feminismo nos tornou conscientes dos valores patriarcais e dos seus efeitos repressivos e perversos sobre o feminino, mais do que simplesmente sobre a mulher. Com sua orientação para o poder e para a subjugação, com ênfase na dominação e na hierarquização, o patriarcado é visto cada vez mais intensamente como algo destrutivo, tanto para os seres humanos quanto para o planeta. O poder masculino de reger o mundo e de dominar a natureza chegou ao ápice em nossa civilização. Diante do atual estágio de devastação não é mais possível separar nossas concepções de “progresso” com as ações destrutivas do planeta. Progresso, em nossa civilização, significa a capacidade de consumir, onde o TER é muito mais importante do que SER. No entanto, é crescente o número de pessoas que já não se dispõe mais a compartilhar esses valores.

A Nova Era se caracteriza pela predominância do feminino, assim como na Era de Peixes predominou o masculino. Na evolução zodiacal a Era da Deusa foi substituída pela Era do Deus único, monoteísta, que agora cede novamente seu lugar à Deusa. O monoteísmo representa tipicamente um deus que pode existir sozinho, apartado de sua criação. Essa concepção de divindade criou no homem um profundo sentimento de superioridade, que permitiu e justificou sua arrogância e conseqüente dominação em relação à mulher, à Natureza e aos demais homens considerados “mais fracos”. A imagem da Deusa, por outro lado, representa a unificação do Uno-Muitos em termos de integração e mútua consubstanciação do Uno-manifesto-nos-Muitos e os Muitos habitando no seio do Uno.

Com o renascimento da imagem da Deusa está sendo criado um novo sistema de valores que, certamente, redimensionará as relações entre homens e mulheres, entre a religião e a filosofia, entre a vida social e os sistemas político e econômico. Atualmente, as concepções de “desenvolvimento” e de “progresso”, seja de uma pessoa ou de um país, estão diretamente relacionadas com os bens materiais que possui e, no caso dos países, com a capacidade da sua produção industrial. No entanto, muitos são os autores que começam a redimensionar a noção de desenvolvimento, deixando o pólo da produção e (má) distribuição de bens materiais, para considerar o desenvolvimento e convivência dos seres humanos como os melhores indicadores. Utopia? Talvez. Contudo é necessário optar, pois o tempo dos espectadores está rapidamente chegando ao fim.”

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