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O insólito trânsito de Brasília
A capital federal fundada pelo Presidente Juscelino Kubistchek há 40 anos poderia muito bem ser chamada de ‘cidade parque’, ou ‘cidade campi’, de campus universitário. Pois sua ampla e retilínea geografia de ‘planalto central’, delineada pelo desenho urbanístico de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, ou o que resta dele, de diluição física, é um convite à vida saudável em cima de bicicletas.
Teoricamente Brasília É uma ciclovia, pelo menos um convite às ciclovias, com avenidas largas e asfalto de qualidade acima da média. Sem descidas ou subidas desanimadoras. Como Belo Horizonte, por exemplo.
Mas é a cidade do funcionalismo público. Onde a maioria pode ter carro. E é onde o pedestre não tem vez.
Com isso o que se vê é uma imagem insólita de um trânsito caótico em uma metrópole altamente propícia e viável à vida saudável. Sem dúvida a capital mais propensa ao uso politicamente correto de bicicletas como transporte limpo, econômico, verde, ecológico, sustentável, saudável. Mas não. É a cidade do funcionalismo público. Onde a maioria pode ter carro. E é onde o pedestre não tem vez.
Um holandês em Amsterdã, num dos países mais civilizados do mundo, provavelmente pode ter o carro que pretender; bmw, mercedes-benz, audi…à sua escolha, mas como por lá ter um carro não é sinônimo de status social, talvez há décadas, ele, o holandês, prefira o uso inteligente de uma bicicleta. Claro, incentivado pelo governo. Mas em Brasília é diferente, é a cidade brasileira do funcionalismo público. E assim, a maioria pode ter carro. E o pedestre, não tem vez.
Resultado: a paradoxal Brasília vive o drama de ter uma frota com mais de um milhão de automóveis (desde maio passado, segundo o Detran-DF) em ruas que poderiam estar repletas de funcionários públicos circulando de ‘bike’, dando o exemplo para o resto do país. Mas para quê, afinal? lá eles podem ter o carro que desejar.